16 de jan de 2011

Garimpo de roupas, móveis, LPs e câmeras fotográficas analógicas enfatizam o saudosismo do passado




Direto do guarda-roupa da vovó

Enquanto as releituras e apropriações do antigo estão em voga, para especialistas é imprescindível o cuidado em diferenciar o que, de fato, veio do passado daquilo que aparece como uma reprodução ou uma homenagem a outras décadas a partir de tecidos, materiais e tecnologias do presente. "O retrô é quando a peça é produzida no presente a partir da uma referência do passado. Já o vintage é construído no passado e guardado através do tempo", pontua Angélica Adverse.

Tanto saudosismo pelo que já passou aparece como resgate do decadentismo, na visão do professor de filosofia, Guaracy Araújo. "Em todas as geração depois do final do século XIX, você acha pessoas falando que estão vivendo num período de decadência. É uma tendência de desvalorização do presente e nostalgia do passado", afirma.

Referindo-se aos escritos do filósofo Friedrich Nietzsche, Guaracy enfatiza o risco de uma saturação de períodos históricos nos dias de hoje. "Os anos 20, por exemplo, estão sempre sendo realimentados. Nietzsche destaca o poder de esquecimento por causa disso, para que o contemporâneo não se torne uma repetição", expõe.


vintage x retrô - 1920


Vintage como estilo de vida

O vintage ultrapassa a mera vestimenta e aparece também em estilo de vida como o uso de máquinas fotográficas analógicas, LPs e móveis de época na decoração da casa ou escritório. O designer Juliano Augusto adotou as máquinas lomográficas, conhecidas por “lomo”, como hobby e ferramenta de trabalho. “Encontrei na lomo o defeito, o inesperado”, revela. “Com a lomo, você volta atrás no tempo. Quando você sai com filme, você tem 36 posições que podem ser que saiam. Por ter menor quantidade, você tenta pegar a essência de uma coisa”, analisa.

Texto: Mariana Lage
Fonte: Jornal Pampulha