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9 de ago. de 2011

Comportamento: Comentários na Internet



Boa noite! 
Hoje, vou postar um trecho do artigo da Márcia Cabrita, publicada na revista ISTOÉ, desta semana, que me pareceu muito sensato. O vídeo do Chico, que ela cita no texto, está abaixo. Até a próxima!

"Chico Buarque ficou surpreso por ser agredido na internet. Eu também. O lixo, o pior do ser humano está ali. Protegidos pelo anonimato, pessoas são cruéis e agressivas gratuitamente. Pergunto-me o que faz uma pessoa entrar num site e se cadastrar falsamente só para vociferar seu ódio. É assustador! Estupidez sem argumentos. Já li coisas que parecem de autoria do maluco de Oslo. Fui esculhambada apenas por dar uma opinião. Sou a favor de uma discussão mais aberta sobre a legalização das drogas, apesar de não suportá-las. Só isso. Uma opinião."

Video do dia: Comentários na Internet from Chico Buarque: Bastidores on Vimeo.




8 de jun. de 2011

Os Saltimbancos: Eu Fui!



Bom dia! Há alguns dias, fui assistir, pela segunda vez, a um dos mais consagrados musicais brasileiros, "Os Saltimbancos", inspirado no conto dos irmãos Grimm, “Os Músicos de Bremen”, com tradução e adaptação de Chico Buarque. A história é muito fofa e conta a aventura de uma galinha, um cachorro, um jumento e uma gata, que decidem ir à cidade grande tentar a sorte. Esta montagem, aqui de Minas Gerais, contou com diversos diferenciais e mostrou um leitura moderna do musical. Os atores-cantores foram escolhidos a dedo entre os melhores de Minas e a música foi ao vivo com uma orquestra, que ao final da peça, aparece de forma inesperada, surgindo do chão, lá na frente do palco! Foi simplesmente, maravilhoso! Momentos de muita magia, poesia e beleza. Fiz fotos e dois videozinhos com o celular, mas a qualidade não está boa. Pelo menos posso ver um pouquinho e relembrar! Amei!

Uma das gatas é a minha linda amiga Fernanda Botelho, que cantou, dançou e atuou, maravilhosamente! Vejam como ela ficou linda de gatinha!

Ana Luiza, Fernanda Botelho e eu.



  
Orquestra emergindo do chão







16 de jan. de 2011

Ditadura Militar no Brasil: "Construção" de Chico Buarque




Bom dia! 
Já falei aqui, sobre minha admiração pelo compositor, poeta, intérprete e escritor, Chico Buarque de Hollanda. Suas músicas são obras cheias de requinte, com melodia, harmonia e poesia, brilhantes! Encontrei um excelente texto de Paulo Cavalcanti, que fala, especificamente, da música "Construção", composta por Chico em 1971, em plena ditadura militar. Escutar a música acompanhando a letra, torna-se muito mais interessante, depois que entendemos seu significado e sua representação neste período obscuro da história do Brasil, o Regime Militar. Façam isso, é muito legal. 
E o Chico... (suspiros, muitos suspiros) 


Construção
Por Paulo Cavalcanti

O Brasil do começo dos anos 70 era uma terra de paradoxos. O governo do General Emilio Garrastazu Médici tinha em seu bojo o chamado "Milagre Brasileiro", que prometia crescimento econômico recorde e baixa inflação. 

O país era campeão mundial de futebol e o slogan "Ame-o ou Deixe-o" era colado nos vidros dos carros. O que poderia estar errado? O preço para essa suposta estabilidade e ufanismo era alto. A censura tolhia a liberdade artística e a atmosfera repressora levava cidadãos insuspeitos para a cadeia. 

Depois de um breve período exilado na Itália, Chico Buarque retornou ao Brasil mostrando que não compactuava com a situação. Estava pronto para o confronto e explicitou isso em 1971, no LP Construção. E foi a música que deu título ao disco que mexeu com a cabeça das pessoas. "Construção", quarta faixa do lado A do vinil original, é um épico, com duração de seis minutos e meio. Trata-se de uma crônica sobre a vida e a morte de um trabalhador. Um dos setores que mais se expandiam com o propalado crescimento econômico era o da construção civil. Operários eram peças de reposição, ganhando pouco e estendendo sua jornada de trabalho com infindáveis horas extras para garantir a compra dos bens materiais que eram anunciados na TV. Acidentes de trabalho eram acontecimentos corriqueiros. Ao colocar isso em canção, Chico criticou indiretamente o sistema, afinal a situação do operariado era consequência das ações do governo. 

O personagem anônimo de "Construção" sai de casa, beija a mulher e os filhos e vai para o trabalho. Lá, se anima e ergue uma parede "como se fosse máquina". Faz uma pausa, come qualquer coisa e bebe uma cachaça. Cai do andaime e se estatela no meio da rua, "como um pacote, atrapalhando o tráfego". Chico situa tudo em formato não discursivo, até mesmo impessoal. As estrofes são repetidas três vezes, com algumas palavras-chave sendo trocadas de posição. Mas são essas mudanças que tornam ambígua a compreensão da música. 

Na primeira vez, o cantor apresenta a história de uma forma lógica, quase jornalística. Na segunda repetição, a mesma história é contada, mas agora é levado em conta o estado psicológico do protagonista, que já estava se transformando num autômato. Na parte final, que não aparece na íntegra, o peão anônimo já se encontra demente e alucinado, não é dono de suas ações. O trabalhador teria morrido como consequência da falta de condições de trabalho ou teria se suicidado, desesperado diante de suas escassas perspectivas de vida? 

"Construção" não seria tão arrebatadora sem o arranjo sinfônico e imponente concebido por Rogério Duprat. O maestro usou a orquestra como um componente sinistro, complementando a cadência do samba de Chico. Os instrumentos aparecem a princípio emulando os caóticos ruídos da metrópole, suas buzinas e prédios em construção. No final, quando "Construção" se funde ao refrão de "Deus Lhe Pague", a canção mais parece uma ópera demente no estilo de Gilbert & Sullivan. 

"Construção" passou incólume pela censura, mas a partir daí Chico ficou visado. Dois anos depois, o compositor declarou que "Construção" não tinha nada a ver com o operariado, que a letra não refletia uma experiência formal, e sim emocional. "Construção" ainda é referência para entender um período espinhoso da sociedade brasileira. Essa é a marca de um verdadeiro artista.
Fonte: www.rollingstone.com.br



Acompanhe e letra: 

Construção (Chico Buarque)

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado